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Quanto custa home care 24 horas: escala 12x36, equipe e o mínimo pela lei
Home care 24 horas exige revezamento: na escala 12x36, quatro profissionais. Veja o custo mínimo pela lei com cuidador ou técnico de enfermagem e o que muda o valor.
Por Equipe Trama Indica · Atualizado em · 11 min de leitura
Cobrir 24 horas por dia, todos os dias, exige revezamento: na escala 12x36, são quatro profissionais — dois de dia e dois à noite. Com cuidadores de idosos com carteira assinada, o mínimo pela lei fica a partir de R$ 9.810 por mês. Com técnicos de enfermagem, a partir de R$ 20.120, sem contar o enfermeiro responsável pela supervisão. Esses valores somam os salários pelos pisos nacionais, o adicional noturno, os encargos do empregador, o 13º e as férias com 1/3. O valor praticado costuma ser maior e é combinado diretamente com os profissionais.
Este guia mostra de onde vem cada parte da conta, quando o cuidador basta e quando o caso pede enfermagem, o que muda entre carteira assinada e autônomo e como reduzir o custo sem deixar a pessoa desassistida. Se quiser fazer a conta do seu caso, use o simulador de home care.
Por que 24 horas exige quatro profissionais
A primeira surpresa de muitas famílias é descobrir que uma pessoa sozinha não pode cobrir as 24 horas. Não é só uma questão de cansaço: é lei. Para quem trabalha na casa da família com carteira assinada, a Lei Complementar 150/2015 limita a jornada a 8 horas por dia e 44 horas por semana (art. 2º).
A mesma lei abre uma exceção conhecida: a escala 12x36. Pelo art. 10, as partes podem combinar, por escrito, 12 horas seguidas de trabalho por 36 horas ininterruptas de descanso. É a escala mais usada em cuidado contínuo, porque cada profissional trabalha em dias alternados e os plantões cobrem o dia e a noite.
A matemática da 12x36 é simples. Se cada pessoa trabalha um dia sim e outro não, são precisos dois profissionais para cobrir todos os dias de um mesmo turno. Como o dia tem dois turnos de 12 horas, o diurno e o noturno, a cobertura completa pede quatro:
| Turno | Segunda | Terça | Quarta | Quinta | Sexta |
|---|---|---|---|---|---|
| Dia (7h às 19h) | Profissional A | Profissional B | Profissional A | Profissional B | Profissional A |
| Noite (19h às 7h) | Profissional C | Profissional D | Profissional C | Profissional D | Profissional C |
Com essa escala, ninguém passa de 12 horas seguidas e todos têm 36 horas de descanso entre um plantão e outro. Os horários de troca (7h e 19h são só um exemplo) a família combina com a equipe, de acordo com a rotina da pessoa.

Quanto custa no mínimo pela lei
A tabela abaixo mostra o custo mínimo mensal pela lei em cinco coberturas comuns, com cuidador de idosos e com técnico de enfermagem. São valores "a partir de", calculados com as mesmas regras do simulador de home care:
| Cobertura | Profissionais na escala | Cuidador de idosos | Técnico de enfermagem |
|---|---|---|---|
| 24 horas, todos os dias | 4, com carteira | a partir de R$ 9.810 | a partir de R$ 20.120 |
| Só o dia (12 h), todos os dias | 2, com carteira | a partir de R$ 4.650 | a partir de R$ 9.530 |
| Só a noite (12 h), todos os dias | 2, com carteira | a partir de R$ 5.160 | a partir de R$ 10.590 |
| 24 horas, 5 dias por semana | 4, com carteira | a partir de R$ 9.660 | a partir de R$ 19.820 |
| 24 horas, só no fim de semana | 2, autônomos | a partir de R$ 1.540 | a partir de R$ 3.150 |
Três cuidados para ler a tabela:
- É o piso, não o preço. O cálculo usa o salário mínimo nacional de 2026, de R$ 1.621 (Decreto 12.797/2025), para o cuidador, e o piso nacional da enfermagem para o técnico, de 70% do piso do enfermeiro (Lei 14.434/2022). O valor praticado no mercado costuma ser maior, e cada família combina o seu diretamente com os profissionais.
- Alguns estados têm piso maior. A Lei Complementar 103/2000 permite que os estados criem um piso salarial regional, que pode valer também para o emprego doméstico (art. 1º, § 2º). Onde ele existe, o mínimo é maior do que o da tabela.
- No fim de semana, a referência é por hora. Quem trabalha até dois dias por semana na mesma casa pode ser autônomo. Nesse caso, a tabela mostra uma referência pela hora do piso, porque o autônomo define o próprio valor por plantão.
Como se forma o valor
O custo de uma equipe com carteira assinada não é só a soma dos salários. Para entender a conta, veja como ela se divide na cobertura de 24 horas com quatro cuidadores de idosos:
| Parte do custo | Valor por mês | De onde vem |
|---|---|---|
| Salários pelo piso legal | R$ 6.484 | Quatro salários pelo mínimo nacional |
| Adicional noturno | R$ 359 | 20% sobre as horas entre 22h e 5h |
| Encargos do empregador | R$ 1.369 | 20% sobre a remuneração |
| 13º e férias com 1/3 | R$ 1.597 | Provisão mensal |
| Total, a partir de | R$ 9.810 |
Cada linha tem base na Lei Complementar 150/2015:
- Adicional noturno. O trabalho entre 22h e 5h é noturno, a hora noturna tem 52 minutos e 30 segundos e a remuneração tem acréscimo de, no mínimo, 20% sobre a hora diurna (art. 14). Por isso o plantão da noite custa mais do que o do dia.
- Encargos do empregador. A família recolhe 8% de contribuição previdenciária, 0,8% de seguro contra acidentes de trabalho, 8% de FGTS e 3,2% para a indenização compensatória da perda do emprego (art. 34). Somados, dão 20% sobre a remuneração.
- 13º e férias. O empregado doméstico tem direito ao 13º salário (Lei 4.090/1962, aplicada ao trabalho doméstico pelo art. 19) e a férias anuais remuneradas com acréscimo de 1/3 (art. 17). Guardar a provisão todo mês evita um susto em dezembro e no mês das férias.
- Salário cheio na 12x36. Na escala 12x36, a remuneração mensal combinada já abrange o descanso semanal remunerado e os feriados (art. 10, § 1º). Por isso o cálculo usa o piso inteiro para cada profissional, e não uma fração dele.
Com técnicos de enfermagem a estrutura é a mesma; o que muda é o piso, maior, e por isso o total chega a R$ 20.120 na cobertura de 24 horas.
O que fica fora da conta mínima
O mínimo legal é o ponto de partida, mas uma escala de 24 horas tem custos que não aparecem na tabela. Vale prever cada um desde o começo:
- Cobertura das férias. Cada profissional tem direito a 30 dias de férias por ano (Lei Complementar 150/2015, art. 17). Numa escala de quatro pessoas, são cerca de 120 dias por ano em que alguém precisa cobrir um dos plantões. A provisão da tabela paga as férias de quem descansa, mas não o substituto: essa cobertura fica com um folguista ou com a família.
- Enfermeiro responsável. Quando a escala é de técnicos de enfermagem, a supervisão do enfermeiro é obrigatória e tem custo próprio, combinado à parte, em geral por visitas.
- Vale-transporte. A lei do vale-transporte (Lei 7.418/1985) também vale para o trabalho doméstico (art. 19 da Lei Complementar 150/2015). Com quatro profissionais indo e voltando em dias alternados, ele pesa no orçamento.
- Horas extras. Quando a troca de plantão atrasa e alguém fica além do horário, a hora extraordinária tem acréscimo de, no mínimo, 50% (art. 2º, § 1º). Uma passagem de plantão organizada, com horário combinado e registro do que aconteceu no turno, evita esse custo.
- Valor praticado. O piso é o mínimo legal; o valor praticado costuma ser maior e é combinado diretamente com cada profissional, conforme a experiência e o grau de dependência da pessoa cuidada.
Para a passagem de plantão funcionar, um caderno de registros ajuda: cada profissional anota alimentação, medicação, sono, humor e qualquer ocorrência, e quem chega lê antes de assumir. O checklist para preparar a casa explica o que anotar.
Cuidador ou técnico de enfermagem: quem faz o plantão
A maior diferença de custo está na escolha do profissional, e ela não é uma questão de preferência: depende do tipo de cuidado. O cuidador de idosos apoia a rotina: banho, higiene, alimentação, mobilidade, companhia e lembrete dos remédios por via oral. Quando a rotina inclui medicação injetável, curativos, sonda, oxigênio ou controle de sinais vitais, o cuidado é de enfermagem, e o profissional é o técnico de enfermagem.
Há um custo que costuma ficar fora da conta: o técnico só atua sob supervisão, orientação e direção de enfermeiro (Decreto 94.406/1987, art. 13). Quem monta uma escala de técnicos precisa também de uma enfermeira domiciliar responsável, que avalia o paciente, faz o plano de cuidados e acompanha a equipe, em geral por meio de visitas.
Muitas famílias combinam os dois: cuidadores na rotina e enfermagem para os cuidados prescritos. O que não pode é pedir ao cuidador um procedimento de enfermagem para economizar, porque o risco recai sobre a pessoa cuidada. Se ainda estiver em dúvida, o guia cuidador de idosos ou técnico de enfermagem: qual contratar compara os dois em detalhe.
Carteira assinada, autônomo ou MEI
A forma de contratação muda o custo e o risco. A Lei Complementar 150/2015 (art. 1º) considera empregado doméstico quem trabalha para a mesma família, de forma contínua, por mais de dois dias por semana. Numa escala 12x36, cada profissional trabalha três ou quatro dias por semana, então a relação é de emprego doméstico, com carteira assinada e todos os direitos — mesmo que o profissional tenha MEI.
O trabalho autônomo cabe nas coberturas eventuais: fins de semana, folgas, férias do cuidador fixo ou plantões avulsos. A ocupação de cuidador de idosos e enfermos independente está na lista oficial do MEI. O guia cuidador de idosos pode ser MEI? mostra como decidir caso a caso.
Contratar como autônomo uma rotina que é de emprego não reduz o custo de verdade: a relação pode ser reconhecida como emprego doméstico depois, com os direitos devidos. Montar a escala dentro da lei desde o início é o caminho mais barato no fim das contas.
Cinco formas de reduzir o custo sem deixar ninguém desassistido
- Confirme se a noite precisa de alguém acordado. Se a pessoa dorme a noite toda, sem risco de queda ou de confusão, talvez a cobertura do dia, com a família à noite, resolva. Se ela levanta, tem demência ou risco de queda, a noite precisa de cuidado.
- Use enfermagem só onde ela é necessária. Se os cuidados de enfermagem acontecem em horários definidos, converse com a equipe de saúde sobre combinar cuidadores na rotina com enfermagem nesses momentos.
- Divida a semana com a família. Quando parentes cobrem os fins de semana, a escala fixa diminui, e o fim de semana pode ficar com um folguista.
- Confira o que o SUS e o plano cobrem. O atendimento domiciliar faz parte do SUS, e muitos planos preveem a internação domiciliar quando ela substitui a hospitalar. O guia quem paga o home care explica cada caminho.
- Prepare a casa. Uma casa adaptada, com barras, iluminação à noite e materiais organizados, reduz o esforço de cada plantão e o risco de queda.
Erros que encarecem o home care 24 horas
- Uma pessoa morando na casa e cobrindo as 24 horas. Além de inseguro para quem é cuidado, é jornada acima do limite legal, e a conta chega depois, com horas extras e direitos.
- Escala 12x36 sem acordo escrito. A lei exige o acordo por escrito (art. 10). Sem ele, a escala fica exposta a questionamento.
- Esquecer o adicional noturno. Ele é obrigatório para quem trabalha entre 22h e 5h com carteira assinada e precisa estar no orçamento desde o início.
- Não guardar 13º e férias. São dois pagamentos grandes no ano. A provisão mensal evita que eles desequilibrem o orçamento.
- Pedir ao cuidador o que é da enfermagem. Injeção, curativo, sonda e controle de sinais vitais são cuidados de enfermagem. Economizar aqui expõe a pessoa cuidada a risco.
Faça a conta do seu caso
Cada família tem uma combinação diferente de necessidades, horários e dias. O simulador de home care indica o profissional pelo tipo de cuidado, monta a escala e estima o mínimo pela lei, com o detalhamento de cada parte do custo. No fim, você pode enviar o diagnóstico pronto para a equipe da Trama Indica pelo WhatsApp ou pedir que a equipe chame você. A equipe faz a triagem do caso, confere registro e experiência e indica profissionais da rede TRAMA; a contratação é feita diretamente entre a família e os profissionais.