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ESG

Inventário de emissões para indústria: por onde começar

Como a indústria monta o primeiro inventário de gases de efeito estufa: escopos 1, 2 e 3 do GHG Protocol, dados da operação, etapas e o que pede a Lei 15.042/2024.

Por Equipe Trama Indica · Atualizado em · 3 min de leitura

O inventário de emissões é o levantamento dos gases de efeito estufa que a empresa emite em um período, normalmente um ano. A metodologia de referência é o GHG Protocol, que separa as emissões em três escopos. No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol, da FGV, adapta o método ao contexto nacional. Para a indústria, o primeiro inventário é menos difícil do que parece: boa parte dos dados já existe nas contas de energia, nas notas de combustível e nos controles da produção.

Os três escopos

EscopoO que entraExemplos na indústria
1Emissões diretas de fontes que a empresa possui ou controlaCaldeiras, fornos, geradores, frota própria, processos químicos, vazamento de gases de refrigeração
2Emissões indiretas da energia compradaEletricidade, vapor ou calor comprados
3As demais emissões indiretas da cadeia de valorMatérias-primas, transporte terceirizado, resíduos enviados a terceiros, viagens, uso dos produtos vendidos

Os escopos 1 e 2 dependem de dados internos e são um bom ponto de partida. O escopo 3 depende de fornecedores e clientes e pode entrar por etapas.

Etapas do primeiro inventário

  1. Defina os limites organizacionais. Quais unidades e empresas do grupo entram, e por qual critério.
  2. Defina os limites operacionais. Quais escopos e quais categorias do escopo 3 entram neste ano.
  3. Escolha o ano-base. O ano que servirá de comparação para as metas.
  4. Levante os dados de atividade. Consumo de combustíveis, eletricidade, gases de refrigeração, insumos de processo, transporte, resíduos.
  5. Aplique os fatores de emissão. Converta cada dado de atividade em toneladas de CO₂ equivalente, com fatores de fonte reconhecida.
  6. Documente. Registre fontes, premissas e cálculos. É o que permite a verificação por terceiros.
  7. Verifique e publique, se for o caso. A verificação externa dá credibilidade ao número.

Onde estão os dados na fábrica

Fonte de emissãoDado de atividadeOnde encontrar
Caldeiras e fornosVolume ou massa de combustívelNotas fiscais e controle de utilidades
Frota própriaLitros de diesel, gasolina ou etanolCartão de combustível e controle de frota
EletricidadekWh consumidosFaturas da distribuidora ou do mercado livre
RefrigeraçãoRecargas de gásOrdens de manutenção
ResíduosToneladas por destinoManifestos de transporte de resíduos

Muitas dessas informações passam pela manutenção, pelas utilidades e pelo EHS. Por isso o inventário anda melhor quando o time de ESG trabalha junto com quem opera a planta.

O que a lei pede

A Lei 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o SBCE. Pelo art. 30:

  • acima de 10.000 toneladas de CO₂ equivalente por ano, o operador da instalação fica sujeito a submeter plano de monitoramento, enviar relato de emissões e remoções e cumprir outras obrigações do órgão gestor;
  • acima de 25.000 toneladas por ano, também à conciliação periódica de obrigações.

Os patamares podem ser majorados por ato do órgão gestor do SBCE. Para uma indústria perto desses volumes, o inventário deixa de ser só boa prática.

No mercado de capitais, o relatório de sustentabilidade no padrão ISSB passou a ser voluntário com a Resolução CVM 244/2026. Veja o guia IFRS S1 e S2 no Brasil.

Erros que atrasam o primeiro inventário

  • Querer incluir todo o escopo 3 já no primeiro ano.
  • Não registrar de onde veio cada dado e cada fator.
  • Deixar o inventário só com uma pessoa, sem acesso às áreas que têm os dados.
  • Trocar de método no meio do caminho, o que quebra a comparação com o ano-base.

Onde a Trama Indica ajuda

A Trama Indica monta times de ESG por projeto para o primeiro inventário de emissões, ou aloca especialistas para a rotina de dados e indicadores. Veja ESG para a indústria ou peça uma proposta na página de contato.

Dúvidas

Perguntas sobre o tema

O que é inventário de emissões de gases de efeito estufa?

É o levantamento das emissões de gases de efeito estufa de uma organização em um período, normalmente um ano, separadas em escopos 1, 2 e 3 pelo GHG Protocol. É a base para metas de redução, relatórios de clima e programas de carbono.

Qual a diferença entre escopo 1, 2 e 3?

Escopo 1 são as emissões diretas de fontes que a empresa possui ou controla, como caldeiras, fornos e frota própria. Escopo 2 são as emissões indiretas da energia comprada, como a eletricidade. Escopo 3 são as demais emissões indiretas da cadeia de valor, como transporte terceirizado e uso dos produtos vendidos.

Toda indústria é obrigada a fazer inventário?

Não há uma obrigação geral. A Lei 15.042/2024 sujeita ao plano de monitoramento e ao relato de emissões os operadores de instalações que emitem acima de 10.000 toneladas de CO₂ equivalente por ano, além de outras obrigações acima de 25.000 toneladas. Fora disso, o inventário pode ser pedido por clientes, investidores e bancos.

Quanto tempo leva o primeiro inventário?

Depende do número de unidades, da qualidade dos dados e dos escopos incluídos. Começar pelos escopos 1 e 2, que dependem de dados internos, encurta o caminho.

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